A gestão pública e a direção do voto

Por: Luiz Carlos Pissetti

Algumas perguntas aparentemente simples acerca da gestão dos municípios brasileiros – Por que um município é mais eficiente que o outro? Qual a correlação entre a escolha de um eleitor e o trabalho do prefeito de sua cidade? O município mais eficiente é aquele que recebe mais recursos constitucionais? É revelador e causa grandes surpresas, entre elas o quanto a decisão de voto dos eleitores está descolada da eficiência da gestão de seus prefeitos. Em nossa concepção a eficiência dos gastos públicos significa como o governo consegue transformar dinheiro do orçamento em qualidade de vida, portanto em última instância a análise final pelo qual deveria ser guiado o voto, de forma racional e compromissado com o resultado político-gerencial.

Outro mito a ser elucidado é a diferenciação de parâmetros voltados para resultados de eficiência, sobretudo em empresas, pois se considera fundamental a correlação da gestão com a economia política. Uma indústria pega insumos e transforma em produtos. É mais eficiente quando mais barato consegue produzir. O resultado para o município não é a venda de produtos, mas a oferta e a qualidade do serviço público.

Os modelos de produtividade da indústria não estão sujeitos às influências e decisões políticas, contudo em uma administração municipal, a eficiência será revelada, por exemplo, pelo resultado dos serviços, como nas áreas de saúde e saneamento. E o órgão regulador, neste caso, é o eleitor.

O que se observa com acuidade, é que o eleitor tem uma grande dificuldade de observar a responsabilidade do prefeito nos resultados da gestão de um município. Numa epidemia, por exemplo, é difícil saber se a responsabilidade pela proliferação do mosquito é federal, estadual ou municipal. Nas crises, todo mundo é culpado.

Dois aspectos determinam o fato de um município ser mais eficiente que outro. Primeiramente razões de ordem logística (entre as quais se destaca a existência de aeroporto, de uma estrutura portuária e de rodovias), o padrão educacional, as riquezas naturais e a localização geográfica – todos os fatores independentes do gestor. O outro aspecto é a capacidade gerencial do administrador, também determinante para a eficiência.

Cabe à última analise de forma sucinta em relação ao nosso município, já que é chegada a hora de se discutir o “custo-Itajaí”, a verdadeira relação de interesse do que é mais relevante à nossa sociedade, como azeitar a máquina pública e torná-la eficaz, eficiente e produtiva. Discutir isto é discutir o futuro de Itajaí, sem o qual toda a riqueza que está sendo proporcionada pelo forte crescimento econômico não será sustentável, levando o Município a bancarrota, cabe a discussão, cabe o alerta.

 * O autor é presidente da Câmara de Vereadores de Itajaí

 

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